domingo, 5 de março de 2017

Casa de barro


Vejo os meus dias passando
e uma metamorfose sendo construída
Existe uma casa de barro dentro do meu coração
É impossível resiste a luz do sol causticante.

Nada poderia salvar os nossos  sonhos
Sua ingratidão pendurou a chuteira das horas
Mutilou todas as esperanças na sala de espera
e deixou sair os cupins pelas frestas.

Porque ainda insisto em resistir ao tempo?
A muito já devia ter feito as minhas malas
Não é possível amar quem não lhe valoriza
Quem parte sem destino são insetos.

Nossa casa de barro tem muitas cortinas
Nenhum amor resiste ao ciúme
Estamos brigando por coisas pequenas
"Temos que pensar em liberdade ou alforria."


Autor: Gilberto Fernandes Teixeira

sábado, 28 de janeiro de 2017

Marcas


Vejam essas marcas
São ranhuras do tempo
São veios no corpo
Lembranças das dores

Estamos sendo lapidados
Trabalhados pela vida
Esculpidos pelo  sol
Devorados pelos vermes

A cada dia lutamos
A cada dia vencemos ou perdemos
A cada dia matamos um leão
A cada dia se renovam as esperanças

Vejam essas marcas
São tatuagens na carne
São o envelhecer da alma
Amadurecimento forçado

Vamos sendo polidos
Parece estranho sermos tratados
Marcas deixam cicatrizes
Mais  são elas  que contam a história da gente.


Autor: Gilberto Fernandes Teixeira

domingo, 6 de novembro de 2016

Relógio vital.

Resultado de imagem para Relogio vital

Parei  meu corpo no espaço
Para acertar meu relógio vital
Pois estava em uma melancolia bipolar
Num marasmo  danando

Procurei o ponteiro das horas
Procurei o ponteiro dos minutos
Procurei acertar os segundos
E também o calendário

Olhei para frente e para trás
Olhei para todos os lados
Pesei minha consciência vazia
Medi minha alta ignorância

Meditei com meus botões
Apertei  os meus parafusos
Acelerei  meu coração
E dei mais corda na vida.

Autor: Gilberto Fernandes Teixeira

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Ruínas


Hoje lhe vejo em ruínas
E os seus portais só me levam ao passado
Seus quartos são valas
Suas salas são saudades

Suas paredes desmoronam-se nas lembranças
O sol insiste em queimar suas sombras
Lembro-me do lar que um dia fostes
Dos diálogos proferidos pelos homens

Você cai em pedaços leprosos de tijolos
Todo seu corpo rui em silencio
Os sonhos que dentro de você brotaram
A muito já não mais lhe visitam

Fostes uma casa tão bela
Talvez a mais bela entre outras cem
Mais hoje em você não habita ninguém
Nem mesmo o poeta que em você nasceu.


Autor: Gilberto Fernandes Teixeira

domingo, 14 de agosto de 2016

Crepúsculo metálico


Estas sombras de fumaça
Que me apertam o peito
Sufocam meu horizonte
E escurecem o meu sol

Enquanto escorre o metal
Reluzindo feito ouro
Sobe um crepúsculo negro
Poluindo a atmosfera;

Será que vale a pena?
Extrair o  mineiro,
Liberar o carbono,
e aquecer o planeta.

Assim caminha a humanidade
Respirando suas excretas
Fabricando o silício
Na base do sacrifício

Crucificando a natureza!


Autor: Gilberto Fernandes Teixeira

Cabeça oca.


Minha estrela metalúrgica
Meu touro Adebaran
Abram portais celestes
Ligando o tudo ao nada

De cá da minha pouca visão
Um  ângulo oposto ao vértice
Um olho fechado na noite
Enxerga estrelas cadentes

Portas se abrem ao vento
O vácuo tomou o espaço
Paralelas formam horizontes
O concreto sustenta a moldura

Não existem limites imaginários
Pois as palavras fogem da boca
E um pensamento circula vazio
Dentro desta cabeça oca.


Autor: Gilberto Fernandes Teixeira

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Corredor

Nada além de um corredor
De uma estreita passagem
De um labirinto no cérebro
De um vago pensamento

Vejo um homem perdido
Entre quatro paredes
Entre o desejo e o lampejo
Entre suas poucas lembranças

Somente uma estrada
Rumo ao esquecimento
Um túnel para o além
Uma passagem para a eternidade

Existem mistérios na vida
Ângulos que remetem ao nada
Paralelas que se dissolvem
Quartos que não se fecham

Nada além de um corredor
De duas portas que se abrem
Uma rumo à morte
Outra rumo à vida.


Autor: Gilberto Fernandes Teixeira

segunda-feira, 6 de junho de 2016

A dama


Com seu vestido cor do céu
Com seu chapéu azul
Com seus cabelos ao vento
Ela escolheu um apartamento
Na rua do meu coração...


Autor: Gilberto Fernandes Teixeira

domingo, 5 de junho de 2016

Espelho quebrado.

Como fazer um porta-copos de azulejos e espelho em mosaico

Um espelho se quebra
E a sua imagem se fragmenta
Seus olhos agora são dezenas
Seu rosto dividiu-se ao meio

Uma gota de sangue escorre
Por entre seus delicados dedos
Um grito de dor ecoa ao vento
E uma lágrima rola em sua face

Uma sombra se forma
Nos cacos de vidro caídos no chão
Um amor tornou-se ódio
E a sua companhia a solidão.

Autor: Gilberto Fernandes Teixeira

sábado, 4 de junho de 2016